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A importância de acreditar

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Quando se pensa na força feminina é quase impossível não analisar isso partindo de uma perspectiva história, então para começo de tudo é preciso entender alguns pontos.

Na antiguidade, as religiões pagãs sempre veneraram a imagem feminina pondo-a em posição de força e liderança – como é o caso de Diana a deusa dos bosques e amazona -, muitas dessas religiões pagãs inclusive tinham como referência a figura feminina, ou a própria natureza, sendo a figura feminina a detentora do poder da vida e da morte. Para esses religiosos o parto era visto como um evento natural, mais uma das demonstrações de força e poder das mulheres e aquelas que morressem ou perdessem seus bebes por conta deste evento – lembremos que eles não tinham tecnologia- eram tidas como grandes guerreiras que lutaram até o fim, até onde lhe cabia, mas a decisão final era dos deuses.
Com a chegada do cristianismo e da bíblia, com o livro de gênesis o parto foi posto numa posição de castigo de Deus para Eva e para todas as mulheres pelo pecado inicial. A partir daí, com a supressão das religiões antigas e veneração do parto foi se extinguindo e foi nascendo a perspectiva dele como algo doloroso, sujo e sofrido. Ainda hoje, com as grandes divulgações midiáticas essa percepção prevalece e se dissemina incansavelmente. Raramente numa novela se vê um parto normal, natural e humanizado, eu pelo menos nunca vi.
Além de todos esses aspectos históricos e sociais há também a questão da modernização dos centros médicos e o aumento das grandes metrópoles com imensas aglomerações, o parto passou a ser um ato médico e todas as responsabilidades acerca das decisões durante o parto caberiam somente ao médico. Veio então a supervalorização do profissional e das tecnologias, passou-se cada vez mais intervir no processo natural do parto, mesmo que desnecessariamente, sem qualquer análise ou julgamento por parte da sociedade que acreditava que a ética forçava o médico a agir daquela maneira e que aquele era o modo certo. Excluiu-se questões peculiares, como, por exemplo, a análise da índole dos médicos quanto indivíduos, partindo do pressuposto de que são humanos e assim como existem humanos bons, existem humanos maus, nascia assim a violência obstétrica, sustentada por quatro pilares: a supervalorização do profissional médico e das tecnologias disponíveis, a passividade da sociedade, as práticas danosas e os maus tratos e pôr fim a perda da crença no poder feminino e em sua capacidade de parir.
Por isso, com base em todas essas análises e em diversos pensamentos advindos delas, quando uma mulher me diz que deseja ter um parto normal me compadeço de sua situação e me ponho em posição descrente. Uma mulher que realmente deseja um parto normal, natural em sua essência tem uma maratona a cumprir para que se possa atingi-lo, correndo riscos de ser coagida a abandonar essa ideia, coagida por familiares, desconhecidos e até mesmo pelos próprios médicos que agem de forma antiética em função do ganho monetário e de comodidades.
Por isso, quando uma amiga me diz que é seu desejo ter um parto normal e que ela está fazendo yoga, pilates, acupuntura, etc para se preparar, o meu melhor conselho a ela é: pare, de nada adianta preparar seu corpo, se sua mente não está preparada, é necessária uma reflexão profunda, é preciso parar e meditar, se conectar com a essência feminina, compreender o parto como evento simples e natural, inerente à natureza feminina. Essa é a verdadeira preparação para o parto.
Empoderar-se, conectar-se com sua essência guerreira natural é a base para que uma mulher alcance seu parto, mas é somente o inicio da escalada que é árdua, é preciso estar munida também de informações e apoio, além de profissionais éticos e humanos. O sistema obstétrico brasileiro está em mudança, a obstetrícia como a conhecemos está ruindo para renascer de forma digna e humanizada, a luta está apenas no começo, mas a guerra valerá a pena.

Bom meninas, por hoje é só, continuem acompanhando as novidade em nossa página no Facebook e em nosso Instagram (gina_regina_blog). Beijos e até mais.

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