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O Sabor de amamentar

By 10:00 ,



Desde que engravidei uma das minhas maiores preocupações era em poder amamentar o meu bebe, esse sempre foi meu sonho, amamenta-lo pelo máximo de tempo que eu conseguisse, sempre amparada pelo exemplo da minha mãe que amamentou o meu irmão mais novo até seus 4 anos de idade, garantindo assim à ele uma vida saudável recheada de anticorpos.


Graças à Deus desde que o Gui nasceu não tive nenhum problema, mesmo meus seios sendo planos a amamentação aqui em casa foi um sucesso, meus seios nunca racharam e nem tive leite empedrado. Isso sem sombra de dúvidas iluminou minha mente e meu coração e hoje não há nada que me dê mais prazer e alegria do que amamentar o meu bebe.
Sei que fui muito sortuda e que muitas mães enfrentam os mais diversos problemas com a amamentação e é por isso que não compreendo como podem pipocar nos grupos de mães do facebook mulheres procurando soluções milagrosas para que seus filhos de 1 ano e meio, 2 anos larguem o seio. Pior do que essa busca desenfreada e desinformada são as sugestões absurdas que aparecem, como passar boldo, mostarda ou até pimenta no seio para que a criança o largue.
Sempre me pego imaginando quantas mães não veem nesses posts sua frustração estampada, quantas mães não dariam o mundo para poderem amamentar seus bebes e outras tantas desejando desmamar crianças precocemente. É preciso compreender que além de a recomendação do ministério da saúde ser de amamentação exclusiva até os seis meses ela é de amamentação complementar até os dois anos de idade ou mais. 50% de todos os nutrientes que um bebe de um a dois anos recebe advêm do leite materno, isso sem contar os números incalculáveis de anticorpos trocados entre mãe e filho durante a mamada. Me pergunto então se essas mães sabem o mal que estão causando à saúde de seus filhos – não a saúde imediata, mas aquela saúde futura, quando eles tiverem 30, 40 anos e esses anticorpos fizerem falta – será que elas realmente sabem o preço a se pagar e será que esse preço é justo, condenar a saúde de um filho em troca de minutos de sono, sendo que existem maneiras diferentes de se conquistar isso.
É necessário compreender também os prejuízos psicológicos que um desmame repentino causa em uma criança, muitas mães relatam o sucesso dizendo frases do tipo “passei boldo e disse para ele(a) que estava estragado, experimentou e não quis mais” sem nem sequer saber o trauma subconsciente que estão incutindo em seus filhos, trauma esse que pode se refletir subjetivamente no futuro desse ser tão frágil e dependente.
Todos aqueles que me conhecem sabe que sou uma ativista ferrenha do parto humanizado, da criação com apego e da proteção psicológica das crianças. Muitos reclamam de como está nossa sociedade atual, mas poucos se preocupam em entender que essa sociedade é o reflexo da criação oferecida às crianças do passado. Será que é correto continuarmos repetindo copiosamente os mesmos atos, que refletidos no futuro daqueles que a 40 anos eram crianças, nos trouxeram até aqui? Ou será que é o momento de rever os conceitos e mudar a forma de educar e criar, para que os reflexos futuros sejam melhores? O julgamento cabe a cada um.

Por hoje é isso, beijos e até amanhã.

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