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A amamentação e o bebe que não ganha peso

By 16:39 , , , , , , , ,



Retomando a nossa série sobre amamentação (ficou um tempo esquecida, mas ainda tenho muito à falar sobre isso), hoje vamos falar sobre bebes que não ganham peso, ou que tem dificuldade em ganhar peso enquanto amamentados exclusivamente.
E para começar mais esse assunto delicado quero deixar para vocês o depoimento de uma supermãe, a Graziela Beltrão que superou todas as dificuldades para continuar amamentando seu bebe exclusivamente:

Eu sempre sonhei em amamentar, achava um momento lindo entre mãe e filho e durante toda a minha gestação tinha isso em mente, que minha filha mamaria exclusivamente leite materno. Sabia das dificuldades, pois já tinha acompanhado minha irmã em seu processo de amamentação, mas estava disposta a enfrentá-las. Infelizmente a realidade é um pouco mais difícil de ser encarada, pois não contava com tantos hormônios e pressão.
Minha filha nasceu de cesárea por opção minha, eu já tinha colostro meses antes do parto e 1 hora após o seu nascimento ela já foi colocada no meu peito. Achei lindo o seu instinto de já sugar com força, procurando por alimento. A posição não ajudava, pois eu ainda estava deitada na cama e anestesiada, mas mesmo assim de tempos em tempos alguém a colocava no meu peito e ela mamava. O leite ainda não havia descido e eu sabia que poderia demorar até 72 horas.
Na primeira noite ela chorou muito e a enfermeira sugeriu dar complemento, eu aceitei, pois sabia que ela estava com fome pela minha falta de posição e de jeito eu não havia conseguido alimentá-la bem durante o dia. Na segunda noite a história se repetiu e eu mais uma vez aceitei o complemente, pois o meu leite de fato ainda não havia descido.
Chegou o dia de irmos pra casa e agora não tinha mais complemento no copinho, nem ajuda de enfermeira... éramos eu e ela e precisávamos aprender...eu a amamentar e ela a mamar. E não foi fácil! No terceiro dia o leite enfim chegou e junto com ele uma mãe desesperada por não conseguir dar de mamar a filha. Eu a colocava pra mamar, ela tentava pegar o peito, mas o bico escorregava e ela soltava. Ela chorava de fome, eu suava de aflição, o leite escorria, o peito feria pela pega incorreta. Eu a tirava do peito e colocava de novo, ia repetindo essa operação até ver que ela conseguia a pega correta (boca de peixinho, e com toda a auréola do peito na boca), mas até isso acontecer ela “mordia” muito o peito e feria, e dói, meu Deus como dói. Entendi porque neste momento muitas mães desistam de amamentar. Já me assustei ao ver a boca dela suja de sangue, procurei aflita pra ver como ela tinha se machucado e percebi que o sangue era do meu peito ferido...me desesperei com aquela cena, a minha filha mamando o meu sangue (muito dramático eu sei, mas uma mãe de primeira viagem, cansada, com o peito sangrando, os hormônios malucos e uma filha com fome é realmente bem dramática).
Fui a um banco de leite e chegando lá me mandaram coloca-la pra mamar, eu coloquei, e não é que a danadinha pegou o peito de primeira? Ela ficou lá mamando e eu com cara de boba, parecendo que estava exagerando em todo o meu relato.  Falaram que ela estava mamando bem e de fato, quando ela conseguia pegar o peito ela mamava bem, o difícil era  acertar a pega. Quando ela acertava eu ficava paralisada, não mexia nem o dedinho do pé pra não correr o risco do peito sair da boca dela.  Muitas foram às vezes em que ela tentava pegar o peito e não conseguia, eu tentava de todo jeito e por fim ela acabava dormindo. Sentia que era a pessoa mais fracassada do mundo por deixar a minha filha dormir com fome, tendo leite e não conseguindo alimenta-la. Tentei bico de silicone, tentei várias vezes mudar a posição da mamada e era sempre complicado. Fui a outro banco de leite, me deram umas dicas da posição que o braço deveria ficar, me mandaram relaxar, pois eu nem respirava direito enquanto ela mamava, mas veio a fatídica fala: “ela é muito gulosa, olha como mama forte, pode ser que o seu leite não seja suficiente e precise de um complemento”.  Claro que saí de lá me questionando se valia a pena insistir em amamentar e até que ponto isso seria bom pra ela, ou se eu realmente deveria dar logo a mamadeira e acabar com essa agonia.
O fim do poço chegou no dia do retorno com o pediatra, ela estava com 10 dias. A médica era a que havia feito sua avaliação no nascimento e não era um poço de simpatia. Ela foi pesada, a médica fez as contas e de cara foi falando que ela não estava ganhando peso. Ela teria que tomar complemento. Fiquei muda, um buraco no chão se abriu e eu caí lá dentro. Eu estava batalhando pra que minha filha mamasse essa médica não sabia de todo o meu sofrimento, dor, frustração, medo, ansiedade pra tentar amamentar a minha filha e agora ela simplesmente me mandava dar mamadeira pra ela? Eu só consegui responder: não vou dar! Eu tenho leite! A médica então me deu um prazo de 3 dias para que ela engordasse o que era necessário por dia. Saí de lá com uma meta e não aceitaria que outra pessoa viesse me dizer que meu leite era fraco, aguado, não suficiente, inadequado. Eu era mãe! Eu sabia o que era melhor pra minha filha, eu tinha leite e iria amamentá-la. Passava o dia quase todo com ela no peito já que a mamada era em livre demanda. Ela acordava e eu já colocava no peito, ficava mexendo nela pra que não dormisse e mamasse até o leite secar ou até eu perceber que ela já estava tomando o segundo leite, o que é mais rico em gordura e o que de fato engorda o bebê.
Muitas vezes me perguntava se estava fazendo a coisa certa, infelizmente o peito não é transparente e eu não tinha ideia se de fato ela estava mamando ou apenas chupetando o peito. Mas segui firme na minha meta. No terceiro dia voltamos a pediatra e ela tinha engordado 94 gramas. O ideal é 30 gramas por dia. Havíamos vencido!! Senti que era uma supermulher e a mãe mais poderosa do mundo.
Minha filha foi amamentada em livre demanda até os 6 meses. Sempre foi uma criança gordinha e me dava muito orgulho saber que toda aquela fofura era leite materno. As pessoas comentavam como ela era gordinha e eu sempre brincava: “toda trabalhada no leite materno”.  Não foi fácil...madrugadas sem dormir, horas no peito, uma responsabilidade que você não pode dividir com pai e nem com ninguém, mas eu me senti realizada. Depois de tanta gente dizendo o contrário tive a certeza que o meu leite não é fraco nem insuficiente. Li muito a respeito e hoje eu sei que para amamentar a mulher precisa de 80% de confiança em si mesma e 20% de leite, porque esse a natureza se encarrega de produzir.
Hoje a Isabela está com 10 meses e ainda mama 3 vezes ao dia pelo menos, ainda tenho muito leite e ainda não sei quando farei o desmame, o fato de amamentar além de alimentar é sim um ato de amor, um momento só nosso que eu sei que sentirei falta um dia.
Graziela Beltrão

SOBRE O GANHO DE PESO DO BEBE
Todo bebe nasce com uma reserva de gordura, reserva esta que será gasta para ajudar à regular sua temperatura corporal e também no período de instauração da alimentação oral (é preciso lembrar que antes todo o alimento do bebe chegava à ele através do cordão umbilical, sem necessidade de esforço.
O ganho de peso do bebe nos primeiros dois meses é relativamente baixo, podendo inclusive não haver ganho, é necessário observar outras questões além do peso isoladamente para que seja indicada a complementação por isso o trabalho entre especialidades médicas (pediatras, nutricionistas e fonoaudiólogos) é essencial para ajudar a estabelecer e manter a amamentação exclusiva, entretanto se após um estudo clinico aprofundado for definida a necessidade de complementação essa sim será bem vinda.

COMO SABER O GANHO DE PESO
O peso isoladamente não indica a complementação, na puericultura são avaliados o peso, medida corporal e circunferência cefálica do bebe, à partir dessas medidas o médico estabelece uma curva de crescimento que será medida em comparação com a tabela da OMS, que é atualizada com frequência. Outros detalhes deverão ser observados, como biotipo físico dos pais e problemas genéticos relacionados ao crescimento ou peso (como problemas de tireóide), à partir desse estudo de caso o médico irá interpretar os resultados e indicar, ou não a complementação. Caso se sinta insegura a mãe sempre poderá buscar uma segunda, terceira, quarta... décima opinião, ou mesmo métodos alternativos à complementação.

PORQUE MEU BEBE NÃO GANHA PESO
Infecções, problemas no sistema digestivo, como refluxo, alergias alimentares, pega incorreta, são diversos os fatores que podem interferir no ganho de peso do bebe, por isso em alguns casos a complementação per se não soluciona o problema, ou não é indicada, em exemplo os bebes prematuros que devem ser amamentados exclusivamente com leite materno tendo a amamentação prolongada por pelo menos o primeiro ano de vida. É preciso lembrar sempre que o mito do leite fraco, amplamente difundido entre as mães, não representa nada, exceto em casos onde a mãe apresenta anemia intensa, devendo essa ser tratada para que não afete sua saúde e nem a do bebe.

COMO AJUDAR MEU BEBE A GANHAR PESO
Métodos como o da hiperlactação (oferecer o seio em intervalos menores ao bebe, mesmo quando este não apresenta sinais de fome), ordenha prévia (retirar o leite magro antes de oferecer o seio para que o bebe absorva o leite gorduroso, que auxilia no ganho de peso), ou a relactação (ordenha de leite materno gordo à ser oferecido ao bebe numa sonda ligada à mama) ajudam o ganho de peso sem a necessidade da inserção do complemento, há de convir uma pesquisa intensa sobra cada um dos métodos, bem como uma ampla conversa com os profissionais que atendem o bebe.

Quero pedir mil e uma desculpas à Graziela, muitas coisas aconteceram desde que falei com ela sobre a postagem do relato dela e hoje, coisas boas, coisas ruins, enfim, muitas coisas e por conta disso demorou um pouco mais a retomada da série sobre amamentação, mesmo assim estou feliz de voltar e poder fazer o post desse relato lindo e encorajador. Muito obrigada à todas as mamães que nos acompanham e não percam o próximo post da série. Obrigada.

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